
Muitas pessoas acreditam que a única maneira de determinar se algo é caro ou barato é pelo preço. Frequentemente, a partir desse raciocínio, elas acabam fazendo comparações entre produtos ou serviços com ofertas similares, mas terminam por se frustrar com o resultado no longo prazo.
Embora o preço seja realmente um fator importante, geralmente ele não tem tanta relação assim com algo a ser considerado “caro”. Esse pensamento equivocado é proveniente de uma postura das próprias empresas, que acabaram por ensinar os clientes que eles sempre podem encontrar algo que seja melhor, mais rápido, de maior qualidade e mais barato. Mas, no fundo, sabemos que não é possível ter tudo o que queremos.
Preço é diferente de custo
Vamos simplificar. A realidade é que preço e custo são coisas diferentes, são fatores separados. Como exemplo, vamos falar de um produto relativamente simples: um sapato. Vamos supor que você queira comprar um. O primeiro par custa R$ 200 e o segundo modelo custa o dobro, R$ 400. Claro que a diferença de preço é alta, mas este fator por si só não é suficiente para que possamos determinar qual par de sapatos é o mais caro. Precisamos de mais informações.
O calçado de R$ 200 é de qualidade mediana e, caso seja utilizado diariamente, tem uma vida útil de cerca de 18 meses. Ou seja, ele tem um custo mensal de aproximadamente R$ 11. Já o sapato de R$ 400 tem qualidade superior e, se utilizado nas mesmas condições, ou seja, todos os dias, pode durar até 48 meses. Isso nos dá um custo mensal de R$ 8.
O que isso significa? Os sapatos de R$ 400 têm um preço maior, inicialmente, mas se mostram com um custo menor. Se considerarmos o período de 48 meses, você teria que comprar dois pares e meio dos sapatos mais baratos à primeira vista.
O barato sai caro
Geralmente, tudo que é considerado “mais barato” tende a ser apresentado com um preço mais baixo, mas com um custo maior embutido. Nesses casos, onde se revela o gato por lebre, o mais barato é na realidade o mais caro. Já o que consideramos “caro” tende a vir com um preço mais alto e um custo menor.
Esta regra se aplica a praticamente tudo, seja em nossa vida pessoal ou nos negócios. O fast food barato que comemos pode ter um preço altíssimo se considerarmos os impactos que ele pode causar em nossa saúde. Um funcionário com menos qualificações que é contratado por aceitar um salário mais baixo, pode ter um alto custo à organização. Enfim, há momentos em que precisamos analisar se estamos sendo realmente “econômicos” ou se estamos apenas nos enganando.
Quanto você investe em sua presença digital?
Percebe como muitas vezes nossas concepções de caro e barato estão distorcidas? E a mesma lógica pode ser utilizada em outros âmbitos, inclusive no marketing digital.
Com tudo isso posto, gostaria de propor a seguinte reflexão: o quanto de atenção você está investindo na presença online da sua marca?
Aqui, seguir o raciocínio do “barato” é muito fácil. Afinal, há uma infinidade de ferramentas de marketing e mídias sociais gratuitas, nas quais nossos negócios podem estar presentes sem custo algum. Porém, tudo o que as envolve, como o tempo dispendido, a energia direcionada e a criatividade empregada são considerados atributos bastante caros hoje em dia.
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- Tempo é o primeiro preço a ser pago quanto se trata de atrair clientes no mundo online. Para ganhar os olhares e, consequentemente, os corações do seu público, é preciso investir horas e mais horas nas atividades certas. Ganhar essa atenção da sua audiência não acontece do dia para a noite – por mais que hoje isso leve menos tempo do que em qualquer outro período da história. A regra é simples: se você não tem tempo para investir nesses canais, também não terá a atenção que deseja.
- A segunda parcela desse crediário diz respeito à energia que você emprega nessa estratégia. Você pode gastar sua energia navegando pela internet, limpando a caixa de entrada do seu e-mail ou pode direcionar seus esforços para desenvolver e colocar em prática uma estratégia de qualidade, que conquistará a atenção das pessoas.
- Sim, o seu público se interessará pelo que você tem a dizer caso você dedique tempo e energia a isso. Mas se você colocar um terceiro ingrediente de alto valor nessa cesta, a criatividade, criará conteúdos muito mais atraentes e envolventes.
Ser econômico com a atenção que você direciona para sua marca pode sair caro quando se trata de produzir os resultados que o seu negócio precisa. Muitas organizações não querem fazer esse investimento em tempo, energia e criatividade, dentre outros atributos. Nesse caso, por mais que acreditem que estão sendo econômicas, terão um alto custo a pagar no longo prazo.
Lembre-se: construir a sua presença online exige paciência e dedicação. O seu pagamento, que à primeira vista pareceu mais caro, irá funcionar – apenas não imediatamente.
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Fontes / Referências:
Attention Is Expensive – IANNARINO
Cheap is expensive – IANNARINO

