“…faz algum sentido separar a sua vida entre o digital e o analógico? Entre o online e o offline?”
Você acorda com o despertador do celular. Desliga após cinco minutos no modo “soneca”, e confere as mensagens no WhatsUp. Levanta, lava o rosto, escova os dentes. Vai para a sala, liga a televisão e coloca dois pães-de-forma na torradeira, enquanto o café é passado lentamente na cafeteira, liberando aquele maravilhoso odor que diz: o dia já começou! Nessa fatídica cena cotidiana, faz algum sentido separar a sua vida entre o digital e o analógico? Entre online e offline? Não, isso não faz nenhum sentido.
Marketeiros adoram declarações exageradas (o título deste artigo não exagerado, você já vai entender). Muitos decretaram o fim do marketing tradicional, o fim do rádio ou, pasmem, o fim da publicidade. O fato é que muitos dos recursos que fazem parte do nosso dia-a-dia não deixam de existir, eles são reinventados.
O Marketing também está sendo reinventado. Em seus meios, certamente. Mas não em sua essência. Talvez, em seu propósito.
Hoje, você pode saber de imediato quantos visitantes estão passeando pela sua loja – online – e quantos estão comprando. Mais que isso, você pode saber o que eles já compraram e fazer recomendações com base nas suas preferências. Você pode pedir ao cliente que avalie a compra após alguns dias e pode enviar dicas de utilização do produto. E o que é melhor: tudo de forma automatizada. E isso é marketing.
As corporações contam com ferramentas cada vez mais sofisticadas para mapear todo o caminho que um cliente percorre, desde que toma conhecimento da marca até o momento da compra. Reconhecem o cliente que retorna à loja online e mapeiam as suas interações após a compra. Mas, além disso, já conseguem integrar boa parte das experiências físicas nessa jornada.
São muitos os exemplos de integração – e muitos nem tão recentes assim. Há alguns anos já existem publicidades em cartazes e revistas com QR codes que levam a uma página online. Recentemente, códigos em embalagens de produtos permitem o rastreamento de fotos postadas em redes sociais, como Snapchat. Boa parte dos comerciais de tv já induzem o espectador a buscar mais informações na internet ou em uma página específica da campanha. E todas essas ações podem ser mensuradas com facilidade e ajustadas com velocidade.É por isso que não devemos falar em online ou offline, mas em all-line marketing. Não em inbound ou outbound, mas em allbound marketing. Reverberar uma história por diferentes canais – omnichannel.
Marketing com significado
Como disse o Seth Godin: “todos os marketeiros contam histórias” (na verdade ele faz uma brincadeira com esse título em um livro). A essência do Marketing sempre foi conduzir o público em uma narrativa, que é a própria história contada pela marca. A diferença primordial, hoje, é que esse público cresceu em protagonismo. Com o tempo, algumas dessas histórias foram ficando velhas, inadequadas aos novos personagens. Porque hoje a história não é mais escrita somente pela marca. As empresas são coautoras dessas histórias, que assumem diferentes perspectivas, cada vez mais personalizadas.
Nesse mundo híbrido (all-line, allbound, omnichannel), as marcas têm duas opções: construírem o cenário onde essa narrativa com cada consumidor irá se desenrolar e onde esse consumidor irá determinar seu próprio rumo como personagem; ou assumirem o papel de antagonistas. As que escolherem a segunda opção acabarão derrotadas pelo personagem principal, cada vez mais poderoso.


