Prompt-se!

Sem rodeios — A Inteligência Artificial é realmente fascinante. E muito desse fascínio vem da obediência. A gente pede no prompt, ela executa. Sem reclamar. Como ouvi de um alto-executivo de uma Big Tech ao falar das vantagens de adotar a IA nas empresas: “A IA não tira férias, nem ganha 13º salário.” Foi aplaudido ao final da palestra.

Como tecnoagnóstico (pegando emprestado o termo de Greg Epstein), me surpreende o nível de adoração imposto sobre as ferramentas. Como se elas fossem o propósito do trabalho, e não um meio para se alcançar esse propósito.

E a despeito das crenças, os LLMS — essas maquininhas de respostas estatisticamente agradáveis  —  alucinam. Sem um conhecimento mais aprofundado sobre o tema e sem tomarmos o devido cuidado, podemos acabar acreditando em bobagens.

Por isso, hoje, abundam materiais sobre como utilizar os LLMs. Ao final desses cursos, ebooks e hacks você aprende a gerar melhores prompts, que nada mais são do que o seu “pedido” para a IA.

Mas gerar um prompt não é tão simples. O resultado que o LLM fornece depende não só do prompt, mas também dos dados que você entrega. E você então pode subir planilhas, desenhos, fotografias, arquivos em diversos formatos que possam aprimorar o resultado gerado.

Formatos de Prompt

Às vezes, leva tempo para ajustar o prompt. Você tenta aqui e ali, muda palavras, adiciona restrições e dados, até conseguir o que quer. Alguns formatos de prompt ganharam até certa notoriedade.

Por exemplo:

  • RACE (Role [Papel], Action [Ação], Context [Contexto], Example [Exemplo])
  • Cadeia de Pensamento: busca imitar o processo de pensamento humano, em que uma ideia é desenvolvida aos poucos.
  • Autocrítica: pedir ao modelo para revisar suas próprias respostas

Essas técnicas dão estrutura. Funcionam como esqueletos, limitações para reduzir as chances de respostas imprecisas. Mas por que, de repente, limitamos esse uso às IA?

Afinal, esse mesmo princípio pode ser aplicado às inteligências naturais — como a sua e a minha, por exemplo — para gerar respostas criativas. Com a seguinte vantagem…

Os dados que você precisa já estão todos em você

Lewis Carrol, o autor de Alice no País das Maravilhas e Alice Através do Espelho, dizia que pensava em imagens. Isso dava a ele uma estrutura inicial para o trabalho de escrita.

Eu sempre me identifiquei com essa forma de criar do Lewis Carroll. Mas sejamos justos: não é todo mundo que pensa em imagens.

Só que você não precisa ser nenhum Lewis Carroll. É possível usar essa mesm estrutura, esse esqueleto do prompt, para gerar respostas criativas para si mesmo. É ter um destino um pouco mais claro antes de escolher o caminho. Como aconselhou o Gato de Chechire, no conto de Lewis Carroll.

Veja esses exemplos:

Imagine assumir o papel do seu cliente, no seu contexto de trabalho. Imagine seus desafios, os resultados que ele busca. Imagine o seu contexto em detalhes. Agora, que pergunta você faria a esse cliente? Estando no lugar dele, como responderia?

Chame um par. Comece a trocar ideias, como se estivesse conversando com um LLM. Ao final, pergunte a ele ou ela: O que você tirou de mais importante dessa conversa? Peça que lhe pergunte o mesmo.

→ Autocrítica: largue o que acabou de fazer ao terminar. Volte depois da academia, de uma caminhada, ou no dia seguinte. Pergunte-se: como isso poderia dar errado? E depois: como posso evitar que isso dê errado?

A lógica é simples: ao longo da sua carreira, ao longo da sua vida, você já acumulou uma quantidade enorme de informações variadas.

O suficiente para identificar falhas nas respostas do LLM. O suficiente para dar boas respostas para boas perguntas no seu campo de atuação.

Acrescente aí sua experiência, hábitos, aptidões, o que você sentiu quando passou por determinada situação, histórias que ouviu, aprendizados e outras informações que só você poderia dar. Suas habilidades únicas.

Depois, você pode até usar a IA para calibrar seus resultados. Mas fazer esse exercício traz dois benefícios diretos:

1 – Você se sente bem ao responder (ainda que tenha que se esforçar para escavar mais fundo)

2 – Como a resposta foi dada por você e exigiu algum esforço, é mais provável que você se comprometa com as ações que virão. E não desista da ideia no minuto seguinte.

Confessa… Na maior parte das vezes, você não deixa de agir por falta de informação. Mas por falta de dedicação. Na dinâmica acelerada, no corre-corre do dia-a-dia, falta tempo. Como parar, refletir e se dedicar, quando há tantos problemas para resolver agora?

A rotina acelerada favorece a solução rápida e capenga. Na melhor das hipóteses, medíocre.

Mas eu sugiro algo diferente. No lugar de delegar o pensamento à IA, procure definir suas próprias estrututuras e delimitações.

Prompt-se!

Siga o seu próprio script.

Você pode se surpreender com os resultados.