ESQUEÇA O MARKETING DIGITAL!

“…faz algum sentido separar a sua vida entre o digital e o analógico? Entre o online e o offline?”

Você acorda com o despertador do celular. Desliga após cinco minutos no modo “soneca”, e confere as mensagens no WhatsUp. Levanta, lava o rosto, escova os dentes. Vai para a sala, liga a televisão e coloca dois pães-de-forma na torradeira, enquanto o café é passado lentamente na cafeteira, liberando aquele maravilhoso odor que diz: o dia já começou! Nessa fatídica cena cotidiana, faz algum sentido separar a sua vida entre o digital e o analógico? Entre online e offline? Não, isso não faz nenhum sentido.

Marketeiros adoram declarações exageradas (o título deste artigo não exagerado, você já vai entender). Muitos decretaram o fim do marketing tradicional, o fim do rádio ou, pasmem, o fim da publicidade. O fato é que muitos dos recursos que fazem parte do nosso dia-a-dia não deixam de existir, eles são reinventados.

​O Marketing também está sendo reinventado. Em seus meios, certamente. Mas não em sua essência. Talvez, em seu propósito.

Marketing com embasamento​O planejamento de marketing sempre foi pautado no uso da informação. Análises de pesquisas, bases de dados geográficos, bases de dados de clientes e por aí vai. O que ocorre, hoje, é a potencialização do uso de informações e a incrível possibilidade de análise em tempo real. Há vinte anos, você dificilmente saberia dizer, com precisão e em tempo real, quantos consumidores estavam na sua loja.
Hoje, você pode saber de imediato quantos visitantes estão passeando pela sua loja – online – e quantos estão comprando. Mais que isso, você pode saber o que eles já compraram e fazer recomendações com base nas suas preferências. Você pode pedir ao cliente que avalie a compra após alguns dias e pode enviar dicas de utilização do produto. E o que é melhor: tudo de forma automatizada. E isso é marketing.

Marketing integrado

As corporações contam com ferramentas cada vez mais sofisticadas para mapear todo o caminho que um cliente percorre, desde que toma conhecimento da marca até o momento da compra. Reconhecem o cliente que retorna à loja online e mapeiam as suas interações após a compra. Mas, além disso, já conseguem integrar boa parte das experiências físicas nessa jornada.

São muitos os exemplos de integração – e muitos nem tão recentes assim. Há alguns anos já existem publicidades em cartazes e revistas com QR codes que levam a uma página online. Recentemente, códigos em embalagens de produtos permitem o rastreamento de fotos postadas em redes sociais, como Snapchat. Boa parte dos comerciais de tv já induzem o espectador a buscar mais informações na internet ou em uma página específica da campanha. E todas essas ações podem ser mensuradas com facilidade e ajustadas com velocidade.​É por isso que não devemos falar em online ou offline, mas em all-line marketing. Não em inbound ou outbound, mas em allbound marketing. Reverberar uma história por diferentes canais – omnichannel.

​Marketing com significado

Como disse o Seth Godin: “todos os marketeiros contam histórias” (na verdade ele faz uma brincadeira com esse título em um livro). A essência do Marketing sempre foi conduzir o público em uma narrativa, que é a própria história contada pela marca. A diferença primordial, hoje, é que esse público cresceu em protagonismo. Com o tempo, algumas dessas histórias foram ficando velhas, inadequadas aos novos personagens. Porque hoje a história não é mais escrita somente pela marca. As empresas são coautoras dessas histórias, que assumem diferentes perspectivas, cada vez mais personalizadas.

Nesse mundo híbrido (all-line, allbound, omnichannel), as marcas têm duas opções: construírem o cenário onde essa narrativa com cada consumidor irá se desenrolar e onde esse consumidor irá determinar seu próprio rumo como personagem; ou assumirem o papel de antagonistas. As que escolherem a segunda opção acabarão derrotadas pelo personagem principal, cada vez mais poderoso.

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